As enchentes de 2024 revelaram vulnerabilidades que urbanistas e engenheiros já conheciam mas que a política e o orçamento sempre adiavam enfrentar. Em Porto Alegre, a inundação de vias, túneis e estações de metrô paralisou a cidade por semanas e deixou claro que o modelo de mobilidade urbana precisava ser repensado.
Um ano depois, a prefeitura apresentou o Plano de Mobilidade Resiliente, que propõe mudanças estruturais no sistema de transporte da capital gaúcha. O plano é ambicioso — e controverso.
O diagnóstico
O principal problema identificado é a dependência excessiva de infraestrutura subterrânea e de baixa cota em áreas de risco de inundação. Estações de metrô, viadutos e túneis que ficaram inacessíveis durante as enchentes são pontos críticos que precisam de soluções de redundância.
Além disso, a concentração de corredores de transporte em poucas vias principais criou gargalos que, em situações de emergência, tornaram impossível redistribuir o fluxo de passageiros.
As propostas
O plano propõe a criação de corredores de ônibus em vias elevadas, a ampliação da rede cicloviária como alternativa de mobilidade em situações de emergência e a instalação de sistemas de bombeamento de emergência nas estações de metrô mais vulneráveis.
A parte mais controversa é a proposta de restrição de circulação de veículos particulares em determinadas áreas durante alertas de inundação, para liberar as vias para veículos de emergência e transporte coletivo.