Há trinta anos, dizer que o Brasil produzia vinhos finos era motivo de risada nos círculos enológicos internacionais. Hoje, vinícolas da Serra Gaúcha ganham medalhas em concursos europeus e abastecem os melhores restaurantes do país. A transformação foi lenta, dolorosa e deliberada.

A virada começou nos anos 1990, quando um grupo de produtores decidiu abandonar as uvas americanas de alta produtividade — que geravam volume mas não qualidade — e investir em variedades europeias que exigiam mais cuidado mas produziam vinhos capazes de competir internacionalmente.

A aposta nas variedades europeias

A transição não foi simples. As variedades europeias são mais sensíveis a doenças fúngicas, comuns no clima úmido da Serra Gaúcha, e exigem manejo mais cuidadoso. Muitos produtores perderam safras inteiras nos primeiros anos. Mas os que persistiram começaram a colher resultados notáveis.

Hoje, a região produz Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Pinot Noir de qualidade reconhecida internacionalmente. Mas é com as variedades italianas — especialmente Sangiovese, Nebbiolo e Ancellotta — que a Serra Gaúcha tem encontrado sua identidade mais autêntica.

O enoturismo como motor

Paralelamente à melhoria da qualidade, o enoturismo se tornou um pilar econômico fundamental para a região. A Rota do Vinho, que conecta as principais vinícolas de Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do Sul, recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano.

As vinícolas perceberam que vender experiências — visitas guiadas, harmonizações, hospedagem entre as videiras — é tão importante quanto vender garrafas. Algumas propriedades faturam mais com turismo do que com a venda direta de vinho.